Investimentos · 8 min de leitura

Como ler um CDB: spread, FGC e prazo sem cair em pegadinha

Diferença entre % do CDI e CDI+, papel real do FGC, marcação a mercado e os pontos que distinguem um bom CDB de um ruim.

Por Hugo Amanajás · 16 de abril de 2026

Por que CDBs parecem todos iguais — e não são

CDB é o produto mais vendido de renda fixa privada no Brasil. A propaganda costuma centrar em "% do CDI" e a comparação tende a parar aí. Quem aprofunda, separa CDBs que rendem 110% do CDI de outros que rendem 95% — e separa também CDBs com risco real diferente sob o mesmo selo de FGC.

Sumário

Os três tipos de remuneração

  • Pós-fixado (% do CDI ou CDI+): paga uma fração ou prêmio sobre o CDI. Em ciclos de Selic alta, beneficia. Em queda de juros, paga menos.
  • Pré-fixado: taxa nominal fixa (ex: 12% a.a.). Beneficia se os juros caírem; prejudica se subirem.
  • IPCA+: paga inflação + taxa fixa. Protege poder de compra. Mais comum em prazos longos.

O papel real do FGC

O Fundo Garantidor de Créditos cobre até R$ 250 mil por CPF por instituição, com teto global de R$ 1 milhão a cada 4 anos. Implicações práticas:

  • Diversificar por banco — não concentrar mais de R$ 250 mil em um único emissor
  • Em caso de quebra de banco médio, o pagamento do FGC costuma levar 30-90 dias — não é instantâneo
  • Bancos "menos conhecidos" pagam spread maior justamente porque o mercado precifica esse risco operacional

Prazo e liquidez

Há dois eixos:

  • Vencimento: 1 a 7 anos é o range típico. Quanto maior, mais prêmio — mas mais sensibilidade a movimentos de mercado em pré-fixado e IPCA+.
  • Liquidez diária vs vencimento: CDBs com "liquidez diária" pagam menos. CDBs "no vencimento" pagam mais, mas você não consegue resgatar antes.

Marcação a mercado em CDB pré e IPCA+

CDBs pós-fixados em CDI praticamente não têm marcação — o saldo cresce conforme o CDI.

CDBs pré-fixados e IPCA+ têm marcação. Se você precisar vender antes do vencimento e os juros subiram, o preço pode ter caído 5%-15%. Distribuidores costumam mostrar o saldo "na curva" (assumindo a taxa contratada), o que esconde a marcação real. Em emergência, o que existe é o valor de mercado.

Checklist prático antes de comprar

  1. Risco do emissor (rating, tamanho do banco) — quanto maior o risco, maior o prêmio exigido
  2. Tipo de remuneração alinhado à expectativa de juros
  3. Prazo compatível com horizonte do capital
  4. FGC cobre? Você está dentro do limite de R$ 250 mil/CPF/instituição?
  5. Há liquidez diária? Vale o prêmio que perde?
  6. Marcação a mercado é relevante para o seu caso?
  7. Spread sobre Tesouro de prazo equivalente compensa o risco adicional?

CDB bem escolhido é uma das peças mais eficientes de uma carteira de renda fixa diversificada. CDB mal escolhido — concentrado num único banco médio, prazo errado, sem entender marcação — vira armadilha. Veja como encaixar em uma alocação. Vamos conversar.

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