Sucessão · 9 min de leitura
Recebi herança: os primeiros 90 dias que importam
Prazos do inventário, ITCMD e multa por atraso, decisão entre extrajudicial e judicial, liquidez para custos e a oportunidade de planejar a sua sucessão agora.
Por Hugo Amanajás · 12 de abril de 2026
Os primeiros 90 dias importam mais do que parecem
Receber uma herança em alta renda é diferente de receber uma herança modesta. Não é uma questão de "comprar com calma" — é uma janela de decisões tributárias, jurídicas e sucessórias que, se mal aproveitada, custa 5-15% do patrimônio em prejuízo evitável. E o relógio começa a correr a partir do óbito, não da partilha.
Sumário
- O que precisa ser feito nos primeiros 60 dias
- ITCMD e o custo do atraso
- Inventário extrajudicial ou judicial
- Liquidez para custos do inventário
- Segunda fase: estruturar o patrimônio recebido
- A oportunidade de planejar a sua própria sucessão
O que precisa ser feito nos primeiros 60 dias
- Abertura de inventário — prazo de 60 dias do óbito em vários estados, sob pena de multa sobre o ITCMD
- Levantamento patrimonial — bens em nome do falecido, dívidas, contas, aplicações, participações societárias
- Reserva de liquidez — para honorários, ITCMD, taxas e eventuais dívidas
- Decisão sobre via — extrajudicial (cartório, mais rápido) ou judicial (necessário se houver menores ou litígio)
ITCMD e o custo do atraso
O ITCMD varia por estado (hoje entre 4% e 8%). Em vários estados há multa progressiva por atraso na declaração:
- Até 30-60 dias: ainda dentro do prazo em estados como SP
- De 60 dias a 6 meses: multa de 10-20% sobre o imposto
- Acima de 6 meses: multa pode chegar a 50%-100% do imposto
Em patrimônios maiores, esse atraso pode custar centenas de milhares. Vale priorizar.
Inventário extrajudicial ou judicial
| Critério | Extrajudicial | Judicial |
|---|---|---|
| Onde | Cartório | Vara de Família/Sucessões |
| Prazo médio | 2-6 meses | 2-5 anos |
| Custo | Menor (taxas + honorários) | Maior (custas + honorários + tempo) |
| Condições | Herdeiros maiores, capazes, consensuais | Necessário se há menores, incapazes ou litígio |
Sempre que possível, ir pelo extrajudicial — custa menos e libera o patrimônio mais rápido.
Liquidez para custos do inventário
Custos típicos para um patrimônio de R$ 5-20 mi:
- ITCMD: 4-8% do patrimônio bruto
- Honorários advocatícios: 3-6% (negociável; pode ser fixo ou por valor)
- Taxas e emolumentos: 0,5-1%
- Eventuais regularizações (IPTU, ITR atrasados, IR pendente do falecido)
Total razoável: 8-15% do patrimônio bruto. Se o patrimônio é ilíquido (imóveis, empresa), os herdeiros precisam achar essa liquidez — daí a importância de seguros de vida estruturados e VGBL para o falecido, quando há previsibilidade. Veja o papel do seguro de vida nesse cenário.
Segunda fase: estruturar o patrimônio recebido
Após a partilha, cada herdeiro recebe sua parte. A pergunta não é "vou gastar?" — é "como manter e fazer crescer?".
- Avaliar se os bens recebidos batem com sua estratégia de alocação
- Imóveis herdados — manter, vender, transformar em fundo (FoF/FII)?
- Participações societárias — manter como sócio passivo, vender ou integralizar em holding pessoal
- Aplicações financeiras — em geral, migrar para uma estrutura unificada com sua estratégia
A oportunidade de planejar a sua própria sucessão
Quem recebe herança tende a abrir os olhos para a fragilidade do "não planejar". É o momento ideal para implementar a sua sucessão antes que o problema se repita:
- Testamento
- VGBL com beneficiários definidos
- Doação em vida com usufruto (se a herança permite)
- Holding patrimonial, se a escala justifica
Veja a sequência prática de instrumentos sucessórios.
Receber herança é evento raro e impactante. Vamos conversar sobre como aproveitar a janela.
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