Previdência · 7 min de leitura

Tabela regressiva ou progressiva: a decisão que define até 25% do seu resgate líquido

Diferença entre tabela progressiva e regressiva, quando cada uma vence, a pegadinha de só poder migrar numa direção e a heurística prática pra escolher na contratação.

Por Hugo Amanajás · 17 de abril de 2026

A escolha que define até 25% do seu resgate líquido

Você está contratando uma previdência. O atendente passa rápido por uma pergunta importante: "tabela progressiva ou regressiva?". A maioria das pessoas marca o que ele recomendou sem entender direito. Anos depois, ao resgatar, descobre que a diferença entre uma e outra significou 15-25% a menos no bolso.

Essa é uma das decisões com maior assimetria entre esforço pra entender (10 minutos) e impacto financeiro (dezenas a centenas de milhares ao longo da vida). Vale parar pra entender direito.

Como funciona a tabela regressiva

O IR no resgate é calculado em função do tempo de cada aporte individual. Cada contribuição "envelhece" sozinha:

Tempo do aporteAlíquota no resgate
Até 2 anos35%
2 a 4 anos30%
4 a 6 anos25%
6 a 8 anos20%
8 a 10 anos15%
Mais de 10 anos10%

Característica central: depois de 10 anos, qualquer aporte é tributado em 10% — independente do seu nível de renda no momento do resgate. É uma alíquota fixa e baixa.

Como funciona a tabela progressiva

O IR segue a tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física, com base no valor resgatado naquele mês. As faixas atuais (2026):

Faixa de resgate mensalAlíquota
Até R$ 2.428,80Isento
R$ 2.428,80 — R$ 2.826,657,5%
R$ 2.826,65 — R$ 3.751,0515%
R$ 3.751,05 — R$ 4.664,6822,5%
Acima de R$ 4.664,6827,5%

Característica central: a alíquota depende do valor resgatado. Quem retira pouco por mês paga menos. Quem retira muito paga até 27,5%.

O cálculo decisivo: qual vence pra você

A regra prática:

  • Regressiva vence em horizontes longos (10+ anos) com resgate em valores médios/altos. A alíquota de 10% é difícil de bater.
  • Progressiva vence em horizontes curtos (resgate antes dos 6-8 anos) ou quando o resgate mensal será baixo o suficiente pra cair em faixa isenta ou de 7,5%.

Cenários concretos:

Cenário 1: Aposentadoria estruturada com renda alta

Você está acumulando há 20 anos pra aposentadoria. Vai retirar R$ 15 mil/mês a partir dos 60.

  • Regressiva: 10% sobre tudo = 10% efetivo
  • Progressiva: 27,5% na faixa cheia (com deduções, fica em alíquota efetiva de ~24-25%)

Regressiva ganha por mais de 15 pontos percentuais. Diferença material.

Cenário 2: Aposentado com renda mensal modesta

Você se aposentou aos 65 e vai usar a previdência pra complementar INSS. Resgata R$ 2 mil/mês.

  • Regressiva: 10% sobre R$ 2 mil = R$ 200/mês
  • Progressiva: faixa isenta = R$ 0

Progressiva ganha — vira renda totalmente isenta.

Cenário 3: Resgate antes dos 10 anos

Você teve um imprevisto e precisa sacar com 5 anos de aporte. Saldo: R$ 200 mil.

  • Regressiva: 25% (faixa 4-6 anos) = R$ 50 mil de IR
  • Progressiva: depende da forma — em parcela única, alíquota cheia 27,5%; em parcelas mensais, vai pelas faixas

Resgate em parcela única é cilada nos dois regimes. Sempre que possível, sacar em parcelas mensais menores.

A pegadinha: você só muda numa direção

A regulação permite migrar do progressivo para o regressivo, mas não o contrário. A janela pra essa mudança costuma estar disponível no produto, mas a contagem do prazo regressivo reseta do zero no momento da mudança.

Implicação: escolher errado no início custa caro. Quem escolhe regressivo e depois descobre que progressivo seria melhor, fica preso. Por isso a decisão na contratação merece os 10 minutos de cálculo.

Heurística prática

Pra simplificar a decisão na contratação:

  • Horizonte de 15-30 anos, expectativa de resgate em valores relevantes: regressiva
  • Horizonte de 5-10 anos, ou expectativa de resgate em parcelas pequenas pra complementar renda baixa: progressiva
  • Não tem certeza? Regressiva é mais segura no longo prazo — a alíquota de 10% após 10 anos é ótima base.

O detalhe que ninguém te conta

A tabela regressiva traz uma vantagem psicológica adicional: tira o resgate do problema da renda mensal. Você não precisa se preocupar com "vou cair na faixa cheia", "vou pagar mais imposto se sacar mais". Sabe que é 10% sobre o que resgatar (depois de 10 anos), ponto.

Pra quem quer simplicidade tributária no resgate, é argumento adicional pro regressivo. Pra quem aceita complexidade em troca de potencial isenção, progressivo tem espaço.

Se quer simular qual regime faz mais sentido pro seu desenho específico, vamos conversar.

Veja todos os artigos do tema em Previdência.

Pra aprofundar: veja PGBL ou VGBL: qual escolher e como estruturar previdência por faixa de patrimônio.